A Deficiência Auditiva refere-se à perda parcial ou total da capacidade de ouvir, podendo ocorrer em graus variados — leve, moderada, severa ou profunda — e de forma pré-lingual (antes da aquisição da linguagem oral) ou pós-lingual (após a aquisição da fala). Essa condição impacta diretamente a forma como a pessoa percebe e interpreta os sons, o que pode influenciar o desenvolvimento da linguagem oral e o processo de aprendizagem, especialmente quando o ensino está centrado exclusivamente na oralidade e na escuta.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2001) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 2001), a deficiência auditiva é caracterizada por limitações funcionais na audição, sem necessariamente envolver a adoção de uma cultura ou identidade linguística específica.
Já a Surdez deve ser compreendida para além de uma limitação sensorial: trata-se de uma identidade linguística e cultural. Conforme destaca Quadros (1997), muitas pessoas surdas se comunicam por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras) — uma língua visual-espacial com gramática própria — e se reconhecem como pertencentes à comunidade surda, com formas próprias de interação, cultura e construção de conhecimento. Nesse sentido, a surdez não é apenas uma condição médica, mas uma forma de existência marcada pela visualidade e pelo bilinguismo.
Reconhecer essa diferença é fundamental para garantir uma educação inclusiva e bilíngue, que respeite tanto as necessidades comunicacionais dos alunos com deficiência auditiva quanto as práticas culturais e linguísticas dos estudantes surdos.
A autora Maria de Fátima Antunes (2020) reforça que alunos surdos são sujeitos predominantemente visuais, e que o ensino deve partir dessa característica para propor uma mediação pedagógica efetiva. Recursos visuais, acessibilidade comunicacional e metodologias adaptadas são fundamentais para o aprendizado — especialmente na matemática — quando o professor compreende a singularidade do aluno surdo e propõe práticas verdadeiramente comunicativas.
Pessoas com DA se apoiam na visão para acessar informações. Isso significa que a visualidade deve estar presente em todo o planejamento pedagógico.
Diretriz 1 (Percepção): apresentar informações com imagens, vídeos, esquemas e materiais visuais;
Diretriz 2 (Linguagem e símbolos): utilizar Libras, legendas, sinais e pictogramas para complementar o texto escrito e oral.
Muitos alunos surdos têm Libras como sua primeira língua e o português como segunda, o que pode gerar dificuldades na leitura e na escrita acadêmica.
Diretriz 2 (Linguagem e símbolos): simplificar a linguagem, utilizar frases curtas, imagens de apoio e antecipar vocabulário;
Diretriz 3 (Compreensão): utilizar esquemas, comparações e exemplos concretos para apoiar a construção de sentido.
A comunicação em sala de aula precisa ser mediada por recursos visuais e linguísticos acessíveis ao surdo. A presença de um intérprete de Libras e o uso de materiais adaptados são fundamentais.
Diretriz 1 (Percepção): apresentar conteúdos também por vídeo, animação, infográficos e Libras;
Diretriz 8 (Expressão e comunicação): permitir que o aluno se expresse por vídeos em Libras, imagens, colagens ou manipulações.
Muitas vezes, o ritmo da aula e a predominância da fala dificultam o acompanhamento do aluno surdo.
Diretriz 5 (Esforço e persistência): utilizar pausas planejadas, repetição das instruções e apoio visual;
Diretriz 4 (Interesse): oferecer temas significativos com recursos visuais que favoreçam o engajamento desde o início da aula.
O raciocínio visual e espacial costuma ser uma força dos estudantes surdos, e pode ser explorado em atividades como geometria, modelagem, arte e robótica educacional.
Diretriz 3 (Compreensão): usar recursos gráficos, modelos concretos e manipulação;
Diretriz 7 (Ação física): permitir que os alunos interajam com objetos, materiais ou ambientes digitais com alto apelo visual.
“Os surdos aprendem melhor com recursos visuais e gráficos, principalmente quando o professor se preocupa com a forma como a informação é apresentada” (Antunes, 2020, p. 35).
ANTUNES, Maria de Fátima Nunes. Matemática e surdos: o software GeoGebra como recurso para auxiliar o ensino de geometria. 2020. 140 f. Dissertação (Mestrado em Ensino) – Universidade do Vale do Taquari – Univates, Lajeado, 2020. Disponível em: https://www.univates.br/bdu/handle/10737/2989. Acesso em: 23 mar. 2025.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. São Paulo: Edusp, 2003. (Tradução da versão original em inglês: International Classification of Functioning, Disability and Health, 2001).
QUADROS, Ronice Müller de. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 1997.