O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação e interação social, além de comportamentos repetitivos e interesses restritos. Essas características podem se manifestar em diferentes níveis de intensidade, o que dá origem ao conceito de “espectro”, abrangendo desde quadros mais leves até os mais severos (GAIATO; TEIXEIRA, 2018; SILVEIRA et al., 2021).
Segundo o DSM-5, o TEA compromete significativamente o desenvolvimento da criança, podendo incluir alterações sensoriais, dificuldades de linguagem, inflexibilidade a mudanças e hiperfoco. Conforme apontam Silveira et al. (2021), essas crianças enfrentam grandes desafios no ambiente escolar, especialmente relacionados à socialização e participação em atividades coletivas.
A inclusão de alunos com TEA demanda práticas pedagógicas que respeitem sua singularidade, com apoio estruturado, estratégias específicas e a mediação adequada entre o sujeito e o conhecimento, como propõe o DUA.
Muitos alunos com TEA têm atraso na linguagem, usam poucos gestos e expressam-se de forma literal ou limitada.
Diretriz 2 (Linguagem e símbolos): oferecer múltiplas formas de representação: imagens, objetos reais, vídeos, Libras, pictogramas e linguagem simples.
Diretriz 8 (Expressão e comunicação): permitir respostas em diferentes formatos (desenho, montagem, dramatização, softwares, etc.).
O aluno pode ter dificuldades em iniciar ou manter interações com colegas e professores, além de apresentar comportamentos solitários ou evitativos.
Diretriz 4 (Recrutamento de interesse): planejar atividades lúdicas e colaborativas com mediação;
Diretriz 6 (Autorregulação): desenvolver habilidades sociais com apoio emocional e mediação de conflitos.
Estudantes com TEA podem repetir movimentos, falas ou rituais, e demonstrar hiperfoco em temas específicos.
Diretriz 5 (Esforço e persistência): usar os interesses do aluno como ponto de partida para motivá-lo;
Diretriz 3 (Compreensão): criar analogias e contextos que conectem os conteúdos com os temas de interesse do aluno.
“As práticas baseadas em atividades lúdicas favorecem o processo de aprendizagem dos alunos com TEA, promovendo maior engajamento” (SILVEIRA et al., 2021, p. 7).
Alguns alunos com TEA podem apresentar dificuldades na abstração, excesso ou ausência de sensibilidade sensorial e comprometimento da cognição.
Diretriz 1 (Percepção): oferecer diferentes formas de acesso à informação (visual, tátil, sonora);
Diretriz 7 (Ações físicas): permitir manipulação de objetos concretos e uso de tecnologias assistivas ou sensoriais.
Muitos alunos com TEA têm resistência a mudanças e precisam de uma rotina bem definida.
Diretriz 9 (Funções executivas): criar cronogramas visuais, checklists e avisos prévios para mudanças na rotina;
Diretriz 6 (Autorregulação): trabalhar com o aluno o desenvolvimento da flexibilidade e da autorregulação emocional.
BRITO, Maria Cláudia. Transtornos do espectro do autismo e educação inclusiva: análise de atitudes sociais de professores e alunos frente à inclusão. Revista Educação Especial, Santa Maria, v. 30, n. 59, p. 657–668, set./dez. 2017. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/educacaoespecial/article/view/28086. Acesso em: 24 mar. 2025.
GAIATO, Mônica; TEIXEIRA, Gabriela. Reizinho autista: guia para lidar com comportamentos difíceis. São Paulo: nVersos, 2018.
SILVEIRA, Núbia Maria Gomes; SANTOS, Laissa Karen Faustino; STASCZAK, Francinalda Machado. Os desafios das crianças com autismo à educação inclusiva. Ensino em Perspectivas, Fortaleza, v. 2, n. 4, p. 1–12, 2021. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/ensinoemperspectivas/article/view/4534. Acesso em: 24 mar. 2025.