A Deficiência Intelectual (DI) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, manifestadas antes dos 18 anos de idade (AAIDD, 2010; OMS, 2001). Essas limitações impactam a forma como a pessoa compreende conceitos, resolve problemas, se comunica, interage socialmente e realiza atividades do cotidiano.
Segundo a Associação Americana sobre Deficiências Intelectuais e do Desenvolvimento (AAIDD, 2010), o funcionamento intelectual inclui habilidades como raciocínio, planejamento, julgamento, pensamento abstrato e aprendizagem acadêmica. Já o comportamento adaptativo envolve competências práticas, sociais e conceituais utilizadas no dia a dia.
Pessoas com DI geralmente precisam de mais tempo, repetições e apoio estruturado para compreender e consolidar novos conhecimentos.
Diretriz 3 (Compreensão): fornecer organizadores gráficos, exemplos concretos e linguagem acessível;
Diretriz 5 (Esforço e Persistência): estabelecer metas simples, valorizar pequenas conquistas e oferecer feedback frequente.
“A aprendizagem ocorre de forma mais lenta, mas não deixa de acontecer. O que falta, muitas vezes, é uma metodologia que respeite esse tempo e estimule o potencial do estudante.” (Souza, 2018, p. 27)
É comum a dificuldade para manter o foco e lembrar instruções ou etapas de uma atividade. Estratégias de apoio ajudam a manter o aluno engajado e em processo constante de revisão.
Diretriz 5 (Esforço e Persistência): promover foco sustentado com ajuda visual, rotinas claras e repetição estratégica;
Diretriz 9 (Funções Executivas): utilizar checklists, agendas visuais e autorreflexão guiada para organizar a aprendizagem.
Temas muito simbólicos ou sem relação com a realidade concreta podem ser de difícil compreensão para alunos com DI.
Diretriz 1 (Percepção): apresentar conteúdos de forma concreta, visual, tátil e auditiva;
Diretriz 2 (Linguagens e Símbolos): utilizar linguagem clara, exemplos do cotidiano e metáforas visuais.
“O currículo muitas vezes é elaborado a partir de uma lógica padronizada, desconsiderando os diferentes modos de aprender, especialmente das pessoas com deficiência intelectual.” (Souza, 2018, p. 39)
Alunos com DI podem necessitar de orientação constante para planejar, tomar decisões e resolver situações escolares.
Diretriz 9 (Funções Executivas): oferecer modelos de resolução, rotinas previsíveis e suporte para o planejamento e revisão de estratégias;
Diretriz 6 (Autorregulação): apoiar o desenvolvimento da autorregulação por meio de reflexões guiadas e estratégias de enfrentamento.
Alguns alunos com DI podem ter dificuldades de interação social, compreensão de regras de convivência ou expressão adequada de sentimentos.
Diretriz 4 (Interesse): criar um ambiente acolhedor, promover engajamento por meio de jogos e temas significativos;
Diretriz 6 (Autorregulação): trabalhar o reconhecimento de emoções e o uso de diferentes formas de expressão pessoal.
“A deficiência intelectual não deve ser vista apenas pela ótica do que falta, mas sim pelas possibilidades de desenvolvimento com as estratégias adequadas.” (Souza, 2018, p. 31)
AAIDD – ASSOCIAÇÃO AMERICANA SOBRE DEFICIÊNCIAS INTELECTUAIS E DO DESENVOLVIMENTO. Manual diagnóstico e estatístico. Washington, DC: AAIDD, 2010.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. São Paulo: Edusp, 2003. (Tradução da versão original em inglês: International Classification of Functioning, Disability and Health, 2001).
SOUZA, Izadora Martins da Silva de. Desenho Universal para a Aprendizagem de Pessoas com Deficiência Intelectual. 2018. 172 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/191821. Acesso em: 23 mar. 2025.