A Síndrome de Down é uma condição genética causada pela trissomia do cromossomo 21, o que significa que o indivíduo possui três cópias desse cromossomo, em vez de duas. Essa condição está associada a características físicas específicas, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e deficiência intelectual de grau leve a moderado (ROSA et al., 2008).
Entre as principais características físicas, podem estar presentes: hipotonia muscular, baixa estatura, face achatada, prega palmar única, língua protusa e olhos oblíquos. No entanto, o desenvolvimento varia muito entre os indivíduos, e nem todos apresentam as mesmas manifestações clínicas (PUESCHEL, 1999; ROSA et al., 2008).
Do ponto de vista educacional, destaca-se o potencial de aprendizagem da pessoa com SD, desde que haja estímulos adequados, mediação pedagógica e inclusão ativa. Como aponta Saad (2003), o preconceito e o assistencialismo são os maiores obstáculos ao desenvolvimento, mais do que a condição em si.
“A deficiência não incapacita o sujeito na sua totalidade, e a família tem grande influência no seu desenvolvimento” (SAAD, 2003, p. 57).
Os alunos com SD costumam apresentar dificuldades na articulação, vocabulário limitado e escrita mais lenta.
Diretriz 2 (Linguagem): apresentar os conteúdos com imagens, símbolos, vídeos e linguagem acessível;
Diretriz 8 (Expressão): permitir que o aluno se expresse de formas variadas (fala, desenho, dramatização, registros visuais).
Dificuldades de memória de curto prazo, abstração e raciocínio lógico são comuns, mas podem ser superadas com mediação adequada.
Diretriz 3 (Compreensão): organizar o conteúdo em passos simples e claros, usar exemplos concretos e repetição;
Diretriz 9 (Funções executivas): usar cronogramas visuais, checklists e andamiações para favorecer a organização.
A hipotonia (baixo tônus muscular) pode afetar a coordenação e a escrita.
Diretriz 7 (Ações físicas): oferecer atividades que envolvam movimento corporal, manipulação de objetos e tecnologia assistiva;
Diretriz 5 (Esforço e persistência): permitir mais tempo para tarefas e reforçar positivamente cada avanço.
Apesar de serem sociáveis, os alunos com SD podem ter dificuldades de convivência e de lidar com frustrações.
Diretriz 4 (Interesse): propor atividades em grupo e jogos colaborativos, respeitando o ritmo do aluno;
Diretriz 6 (Autorregulação): estimular o reconhecimento das emoções, empatia e convivência positiva.
Estudos mostram que alunos com SD podem desenvolver habilidades em leitura, arte, música, esporte e tecnologia, desde que tenham oportunidades.
Todas as diretrizes do DUA podem contribuir, especialmente com abordagens personalizadas e valorização de talentos e interesses individuais.
“A alfabetização desses sujeitos, tal como nas crianças sem deficiência, não se deu de maneira uniforme [...] mas foi possível por meio do significado atribuído ao objeto do conhecimento” (SAAD, 2003, p. 67).
PUESCHEL, Siegfried M. Síndrome de Down: atualização clínica, educacional e psicossocial. São Paulo: Memnon, 1999.
ROSA, Flávia Mendonça et al. A inclusão da criança com síndrome de Down na rede regular de ensino: desafios e possibilidades. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 14, n. 3, p. 497–508, set./dez. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbee/a/PL9fJcLjHykzTQYkYXzXpHP/. Acesso em: 24 mar. 2025.
SAAD, Suad Nader. Preparando o caminho da inclusão: dissolvendo mitos e preconceitos em relação à pessoa com síndrome de Down. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 9, n. 1, p. 57–78, jan./jun. 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbee/a/YsHKnPzgjHkdtLVnSbmnCFq/. Acesso em: 24 mar. 2025.